ConanMonth756
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Um colapso nervoso.
Um ataque de pânico que parecia não ter fim.
A ansiedade crescendo como uma tempestade impossível de conter.
Tudo saiu do controle.
O que antes eram apenas crises silenciosas, tremores escondidos e medos que ninguém levava a sério, foi se transformando em algo maior, mais sombrio. Quando criança, ela já carregava nervos à flor da pele, ataques fora do comum, reações intensas demais para um mundo que insistia em chamá-la de exagerada. Ninguém entendia o que se passava dentro dela - nem ela mesma.
Cada crise era um grito interno. Cada falta de ar, um pedido de socorro não ouvido.
E foi nesse processo que, silenciosamente, ela também se tornou uma assassina em série.
Com o tempo, o caos deixou de ser apenas interno. A ansiedade constante, o medo, a sensação de estar sempre à beira de um abismo... tudo isso foi corroendo algo essencial. E, no meio desse descontrole, nasceu outra versão dela. Não de uma vez, não de forma repentina - mas aos poucos, construída nas rachaduras de uma mente sobrecarregada.
Assim nasceu uma assassina em série.
Não apenas de corpos, mas talvez de sentimentos, de vínculos, de qualquer traço de fragilidade que a lembrasse daquela criança nervosa e incompreendida. A violência tornou-se linguagem. O controle, uma obsessão. O medo, que antes a dominava, passou a ser a arma que ela carregava.
No fundo, porém, ainda existia aquela criança - tremendo, assustada, perdida dentro do próprio labirinto mental.