Elizabeth_Byers
A vida em Hawkins nunca foi simples, não quando a cidade carrega o peso de ser conhecida como a cidade dos lobos. Aqui, segredos uivam nas sombras e destinos são selados antes mesmo de serem compreendidos.
Para William Byers, ou apenas Will para quem o conhece de verdade, tudo parecia seguir um curso tranquilo demais. Aos dezenove anos recém-completados, ele acreditava ter escapado da maldição que pairava sobre tantos outros. Não havia sinais, não havia marcas, não havia chamado. Talvez fosse um erro genético. Talvez fosse sorte. Talvez ele simplesmente não fosse um deles.
Mas Hawkins não esquece. E o sangue não mente.
O despertar começa de forma quase imperceptível, num dia comum, durante uma rotina que ele conhecia de cor. Primeiro, o ar muda. Will sente antes de entender, um aroma estranho, denso, impossível de ignorar. Baunilha quente, frutas vermelhas maduras, algo floral escondido ao fundo, delicado demais para ser real. Seu peito aperta. O cheiro não vem de fora. Vem de dentro.
Então tudo desmorona.
O perfume explode ao seu redor como uma maré viva, sufocante. Sua pele começa a arder, não como fogo que queima, mas como algo que desperta, que rasga, que exige passagem. Cada nervo parece vibrar, cada batida do coração ecoa alto demais. O mundo fica pequeno. O som distante. O corpo deixa de obedecer.
Quando finalmente encara o espelho, o choque o paralisa. As íris, antes comuns, agora brilham em um amarelo vivo, quase dourado, pulsando com uma luz selvagem que não reconhece. Há algo nele que mudou para sempre. Algo antigo. Algo faminto.
Não é apenas medo que o invade...é consciência. A certeza brutal de que não há volta.
Will Byers acaba de se apresentar como ômega.