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A vida de Maya sempre foi medida em intervalos. Não os intervalos comuns de horas ou minutos, mas os espaços de tempo entre o último "apagão" e o próximo despertar. Aos vinte anos, enquanto o mundo lá fora parece girar em uma velocidade frenética de carreiras iniciadas e viagens de mochila nas costas, o mundo de Maya possui fronteiras bem delimitadas. As paredes seguras da casa dos pais, o som familiar das vozes que a protegem e a vigilância constante de um corpo que, às vezes, decide trair a própria consciência.
A epilepsia não é apenas uma condição médica para ela, é uma presença silenciosa que dita o volume da música, a intensidade da luz e o limite de seus passos. Viver sob o olhar zeloso - e por vezes sufocante - de seus pais tornou-se sua zona de conforto e, simultaneamente, sua maior prisão.
No entanto, a estática da rotina é quebrada por um elemento.
Jin não é um estranho, ele era o nome nas histórias do irmão de Maya, o melhor amigo que habitava um universo de liberdade que ela julgava inalcançável. Quando os caminhos de ambos se cruzam dentro do refúgio de Maya, algo muda.
Jin traz consigo não apenas o frescor do mundo, mas um olhar que não carrega a piedade habitual ou o medo constante da fragilidade dela.
Esta é uma história sobre as tempestades que ocorrem dentro do cérebro e as calmarias que encontramos no outro. É sobre entender que, mesmo quando o mundo parece tremer sob nossos pés, o equilíbrio pode vir de onde menos se espera.