orapham
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Há noites que parecem vivas.
Noites que respiram devagar, como um animal escondido no escuro, esperando você piscar para avançar.
Noites em que o vento não sopra - ele murmura.
E cada murmúrio parece sussurrar seu nome.
É nesse território que você está entrando agora.
Aqui, nenhuma história se conecta à outra.
Não há mapa, nem linha reta, nem fio condutor que segure sua mão.
O que existe são portas.
Portas abertas para lugares onde a lógica se curva, onde o místico se mistura ao real, onde o medo veste rostos familiares e os silêncios fazem mais barulho que qualquer grito.
Cada conto é um quarto diferente desta casa.
Uns cheiram a madeira antiga, outros a sangue seco.
Uns iluminam, outros engolem você por inteiro.
Mas todos - absolutamente todos - guardam algo à espreita.
Algo que só desperta quando alguém ousa ler.
E você ousou.
Talvez ache que está seguro, sentado numa poltrona, deitado na cama, cercado de paredes, luzes, trancas.
Mas o medo... o medo não respeita muros.
Ele só precisa de uma fresta.
Um suspiro mais fundo.
Um pensamento torto.
Um detalhe que você jura que não estava ali antes.
E, nesta noite, quando você terminar essas páginas...
Quando fechar o livro achando que acabou...
- Ele ainda estará aqui.
No canto do quarto.
Na memória recente.
No som da casa trabalhando no escuro.
No instante entre o apagar da luz e o corpo finalmente adormecer.
Se é que você vai conseguir dormir.
Bem-vindo.
Hoje você não dorme a noite.