Bebepolin
Dizem que o solo de Somerset tem gosto de ferro porque foi batizado com sangue antes mesmo de a primeira pedra da vila ser assentada.
Para os humanos que vivem ali, o pôr do sol não é um espetáculo de beleza, mas um toque de recolher. Quando a luz desaparece, a vila deixa de pertencer aos homens e passa a ser o tabuleiro de um jogo milenar. De um lado, o uivo que faz as janelas tremerem; do outro, o silêncio absoluto que faz a espinha gelar.
Os Bridgerton são o fogo. Eles são o calor da carne, o músculo que se expande, o grito de liberdade sob a lua cheia. Eles são a terra que vibra.
Os Featherington são o gelo. Eles são a imortalidade estática, o olhar que atravessa os séculos, a sede que nunca se apaga. Eles são a névoa que cega.
Houve um tempo em que tentaram coexistir, mas monstros não dividem o mundo; eles o disputam. A rivalidade entre o lobo e o morcego não nasceu de um desentendimento casual, mas de uma traição que manchou a linhagem de ambos para sempre.
Agora, em 1813, a tensão atingiu o ponto de ruptura. Colin Bridgerton carrega nos dentes a fúria de seus antepassados. Penelope Featherington carrega nas veias o veneno de sua espécie. Eles foram criados para serem o fim um do outro.
Mas, nas sombras da floresta de Somerset, algo está mudando. Porque, às vezes, o ódio é apenas o nome que damos a uma fome que não ousamos admitir.
A guerra está chegando. E, desta vez, nem o sangue e nem o luar serão suficientes para esconder a verdade.