MagnaWhite
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A caixa sobe do abismo e, pela primeira vez, traz dois garotos em vez de um. Thomas acorda ofegante, o peito apertado de pavor, mas não está sozinho. Ao seu lado, um rapaz alto de olhos escuros o encara com uma intensidade que corta o ar - não medo, mas determinação feroz. Ele estende a mão primeiro, instintivo, como se já soubesse que sua existência é proteger aquele garoto de olhos castanhos que treme.
Na Clareira, chamam Thomas pelo nome que brota dele sem explicação. O outro vira "o Protetor". Ele não fala muito. Só age. Qualquer ameaça a Thomas - um olhar torto, uma palavra dura - e o Protetor se coloca na frente, ombros tensos, olhar que faz recuar.
As noites são cruéis. Pesadelos rasgam Thomas, e é sempre o Protetor quem o envolve em braços fortes, voz rouca murmurando "estou aqui" até o tremor passar. Uma ligação que dói de tão profunda, como dois corações costurados pelo mesmo fogo, batendo juntos mesmo sem memória.
Numa madrugada febril, o nome escapa: 𝙆𝙚𝙡𝙫𝙞𝙣. Ele murmura durante a febre. Agora sabem: não são dois perdidos. São um destino partido ao meio.
Thomas vai incendiar o Labirinto com perguntas. Kelvin vai sangrar por cada uma delas. Juntos, inquebráveis, vão destruir tudo que os prende.