Raposa_V
No coração do Submundo, onde o silêncio pesa mais que qualquer mortalha, Hécate se ajoelhava. Suas mãos, que podiam tecer os fios do destino e invocar a fúria da noite, agora moldavam com delicadeza a argila escura, colhida das margens onde as almas esquecidas choravam.
Ao seu lado, Hades observava, seu rosto uma máscara de impassibilidade que não escondia a melancolia em seus olhos. Eles amaram a mesma mortal, uma chama breve e brilhante em um mundo de deuses eternos.
E como não podiam tê-la, decidiram honrá-la. Hécate soprou vida na figura de barro, seus lábios sussurrando encantamentos antigos que fizeram a argila pulsar. Então, o Senhor dos Mortos se aproximou. De seu manto, retirou um diamante bruto, escuro como a noite sem estrelas, e o pressionou contra o peito da pequena forma.
"Que ela conheça a riqueza e o peso do meu reino", ele disse, sua voz um eco das profundezas. "Que ela seja a ponte entre a magia e a morte." E nos olhos da recém-nascida, uma centelha de poder antigo e sombrio começou a brilhar.