beatrysti
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A casa de Aurora era simples, cheia de móveis de madeira clara e lembranças espalhadas pelas paredes. Fotografias antigas, brinquedos esquecidos e pequenos detalhes da infância ainda estavam ali, como se o tempo tivesse hesitado em passar. O ar cheirava a lençóis lavados e a uma leve mistura de flores do jardim, um contraste estranho com o mundo de Matheo, envolto em sombras e silêncio.
Quando a porta se abriu, ele entrou. Matheo, alto, com o olhar negro cortante, exalava frieza e controle absoluto. Cada passo seu ecoava levemente no chão de madeira, e a atmosfera da casa pareceu mudar: o calor acolhedor se misturou a uma tensão densa, quase palpável. Ele parou diante dela, estudando cada traço, mas os olhos dele não conseguiam desviar dos azuis profundos de Aurora.
Aurora, que brincava distraída com um pequeno ursinho de pelúcia, ergueu o olhar e congelou. Havia algo nele que a assustava e, ao mesmo tempo, despertava curiosidade. Ela se agarrou ao brinquedo como se fosse um escudo, um gesto que parecia infantil, mas carregava uma doçura e vulnerabilidade irresistíveis.
O silêncio se estendeu entre os dois, pesado e elétrico, cada respiração e cada piscar de olhos carregados de significado. Ela ainda não sabia quem era aquele homem, mas sentiu, de imediato, que ele não era como os outros. Matheo, por sua vez, sentiu algo que não estava acostumado: um fascínio silencioso, quase doloroso, pelos gestos pequenos e inocentes dela, e, sobretudo, pelos olhos que pareciam refletir mundos que ele nunca conhecera.