Melly845
Erin Sinclair nunca pediu para ser vista. Preferia existir pelas bordas, onde os corredores falavam baixo e ninguém esperava que ela se encaixasse no que não lhe cabia. Mas tudo muda quando uma pausa comum - o intervalo escolar - se torna o primeiro sinal de que algo na sua rotina não está apenas deslocado, e sim errado. A escola inteira parece observá-la mesmo sem olhar, e o mundo fora de seus muros pesa como se carregasse algum tipo de ameaça silenciosa.
É nos fundos úmidos do prédio, entre a madeira pintada e o cheiro de chuva acumulada, que Erin encontra uma espécie de refúgio improvisado - até Embry aparece. Ele surge sempre antes do perigo, sempre atento demais, sempre próximo demais. Um garoto que não fala tudo o que sabe, não explica a preocupação que carrega nos ombros e tenta esconder por trás de sorrisos curtos e frases leves.
Erin desconfia. Do silêncio dele, da escola, da mata que parece respirar perto demais. E, sobretudo, de si mesma - porque há dias em que o próprio corpo parece reagir antes dela entender ao quê.
Quando a linha entre paranoia e instinto começa a se desfazer, Erin percebe que algo a observa, algo a segue, algo a reconhece. E Embry é o único que age como se já soubesse disso desde o início.