Gabriellyllaurentino
A adrenalina tomou conta de mim. Salvar aquela criança era a única coisa que importava. Algo dentro de mim queimava, um sentimento que eu não compreendia. Foi então que vi a luz. Não a luz dos faróis, mas algo sobrenatural, que me acompanhava naquele instante. Com um último impulso, empurrei a criança para longe. O ônibus vinha buzinando e freando. Fechei os olhos, porque sabia que não teria escapatória. Mas naquele momento, eu queria viver.
Uma lembrança emergiu dentro de mim, como uma prece esquecida:
"O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra." Minha mãe sempre dizia isso. Pela primeira vez, eu orei.
- Pai nosso que estás no céu... Me salva, por favor.
O impacto veio. Meu corpo foi arremessado. Não senti nada. Apenas o escuro me engolindo...