NandaRedfox
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Yoko Ishikawa tinha apenas dezesseis anos, mas seus olhos verdes carregavam a gravidade de quem jĂĄ vivera o suficiente para conhecer a dor em todas as suas formas.
Abandonada pelo pai ainda recém-nascida e com a mãe internada em um hospital psiquiåtrico após um surto, Yoko cresceu sem nunca saber o que era um lar de verdade. O orfanato onde foi criada era frio - não apenas nas paredes, mas nos coraçÔes.
Quando seu quirk se manifestou, uma rara combinação entre cura e domĂnio do ar, o que poderia ter sido um presente se tornou uma maldição. Os responsĂĄveis do orfanato viram nela uma ferramenta: alguĂ©m que podia tratar feridos, aliviar dores e limpar o ar pesado da misĂ©ria.
E Yoko o fez... atĂ© nĂŁo aguentar mais. Curava, cuidava, obedecia e caĂa exausta no chĂŁo de pedra, sem que ninguĂ©m se importasse o suficiente para cobri-la com um cobertor.
Aos dez anos, cansada de ser tratada como algo Ăștil e nĂŁo como alguĂ©m, ela fugiu. Magra, suja, com os cabelos loiros embaraçados e os pĂ©s descalços, sobreviveu como pĂŽde. Dormia nos becos, pedia esmolas e se alimentava do que encontrava.
Foi assim, entre a fome e o frio, que Shouta Aizawa a encontrou.
Ela estava inconsciente, caĂda na calçada, o corpo fraco demais para reagir. Ele a levou consigo, cuidou dela com a mesma paciĂȘncia e ternura que raramente mostrava ao mundo.
Com o tempo, Yoko aprendeu a confiar. A sorrir, mesmo que de leve.
Aizawa nĂŁo apenas a salvou - ele se tornou o pai que ela nunca teve.