DanielaGois61
Hermione Granger aprendera, muito cedo, que sobreviver não era o mesmo que viver.
A guerra ensinou-lhe a ser forte, a manter-se de pé quando tudo à sua volta ruía, a tomar decisões impossíveis sem tempo para chorar por elas. Todos a chamavam corajosa. Brilhante. Indispensável. Ninguém perguntava se ela ainda sabia respirar sem sentir o peso do mundo nos pulmões.
Quando o Ministério anunciou que Hogwarts reabriria as portas para um oitavo ano obrigatório, Hermione percebeu que aquele seria o seu último ato de obediência. Um ano para cumprir expectativas. Um ano para sorrir nas fotografias, para ajudar Harry a reconstruir-se, para fingir que o futuro era algo mais do que uma palavra vazia.
Depois disso, desapareceria.
Não como uma fugitiva, mas como alguém que regressa às origens. Diria que o mundo mágico já não lhe pertencia. Que precisava de normalidade! De silêncio. De uma vida trouxa onde ninguém esperaria que ela fosse a solução para tudo.
Cortaria contacto. Uma carta cuidadosamente escrita. Nenhuma porta deixada entreaberta.
Seria mais fácil assim. Para eles.
Hermione acreditava, com a lógica fria que sempre a guiara, que a ausência dói menos do que a morte. Que um afastamento gradual era uma forma de misericórdia! Que, com o tempo, os seus amigos aprenderiam a viver sem ela - como ela aprendera a viver sem si própria.
O que Hermione Granger não previa...
Era que alguém fosse capaz de reconhecer, nos seus olhos, a decisão final.
E muito menos que esse alguém fosse Draco Malfoy.
ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE: A maior parte dos personagens encontrados nesta história não me pertencem, sendo de propriedade de J. K. Rowling. Eu não recebo nem receberei nenhum retorno financeiro por essa história.