Jakie_ttink
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Dizem que o tempo não é uma linha reta, mas um tear complexo onde as cores se misturam em nós que nenhum homem mortal deveria desatar. Há fios que nascem sob o sol implacável das terras do sul, nutridos pelo dendê, pelo cheiro do cravo e pela doçura dos açúcares que curam a alma. E há fios que são forjados no gelo, no silêncio das florestas de pinheiros onde o uivo de um lobo é a única oração permitida.
Milla nunca soube que carregava o fogo em suas mãos. Para os vizinhos e a família, ela era apenas a moça dos doces, a mulher que o tempo parecia ter esquecido de beijar. Mas o destino tem mãos pacientes. Ele esperou que ela completasse seu ciclo de amadurecimento para entregar-lhe o que sempre foi dela: um disco de bronze que não é apenas metal, mas um "coração mecânico" pulsando à espera de um encontro.
Do outro lado do véu, em uma terra chamada Nordan, um homem de quarenta invernos e olhos de floresta amarga vivia em uma solidão que cheirava a ferro e sobrevivência. Fenrir, o último de uma linhagem de troca-peles, não buscava uma companheira; ele buscava a restauração de sua própria alma. Ele não sabia que a resposta para o seu vazio viria de uma mulher que trata feras como filhos e transforma raízes secas em banquete.
O encontro entre o Bronze e a Carne, entre o Gelo e o Fogo, não será suave. Será um choque de realidades onde o desejo é a única linguagem capaz de traduzir mundos tão distantes.
Este relato não é apenas sobre uma viagem no tempo. É sobre a descoberta de que, às vezes, precisamos atravessar eras e enfrentar monstros - tanto os da floresta quanto os que vivem dentro de nós - para encontrarmos o primeiro beijo que realmente importa. Aquele que não apenas toca os lábios, mas que incendeia o destino e nos lembra de quem realmente somos.
"Preparem-se, para o inverno, o mais quente de suas vidas."