IlaeFogaca
Clarisse La Rue conhece o mundo em preto e branco, em linhas retas e golpes precisos. Seu idioma é o impacto da lança, sua poesia, o rugido da batalha. Ela é a tempestade que se avista no horizonte - previsível em sua fúria, segura em sua força bruta. Até que Alyah Reed cruza seu caminho e traz consigo um caleidoscópio.
Alyah não invade, ocupa. Ela é a filha de Apolo na sua forma mais desconcertante, uma contradição ambulante. Tem a paciência de um arqueiro letal, mas a energia de um festival. Consegue silenciar uma sala com um acorde no violão e, no segundo seguinte, incendiar o ar com uma flecha de luz pura nascida do nada. Ela é radiante, sim, mas não é frágil. Sua luz não ilumina, desafia.
E Clarisse, acostumada a enfrentar tudo de frente, não sabe como lutar contra algo que se move como música. Alyah provoca com sorrisos que são ao mesmo tempo doces e afiados, com comentários que soam como elogios até você perceber o ferrão. Ela gira a cabeça de Clarisse sem nem parecer tentar. Só existe, com uma intensidade tão vibrante e cheia de vida que ofusca a existência monocromática da filha de Ares.
O pior? Alyah sabe. Sabe do poder que tem. Sabe que cada risada alta, cada olhar sustentado por um segundo a mais, cada flecha de luz disparada com precisão mortal é um golpe no mundo ordenado de Clarisse. E talvez, só talvez, ela não faça por mal. Talvez seja apenas sua natureza, ser esse furacão dourado. Mas o resultado é o mesmo: Clarisse, a rocha inabalável, sente o chão tremer.
É uma guerra silenciosa travada entre olhares trocados durante treinos, nas provocações na fogueira, no silêncio carregado de uma patrulha noturna. Onde Clarisse oferece confronto, Alyah oferece charme. Onde Clarisse ergue uma muralha, Alyah encontra uma fresta por onde entra a luz.