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Às vezes o destino não prega peças. Ele as enfia goela abaixo até você engasgar.
Abbie foi jogado - não caiu - de um penhasco cujo fundo nem o olhar alcançava. Zip, Edward e Oliver o empurraram com risadas abafadas, chamando de "só um sustinho". O plano era ver o garoto medroso tremer na beira da cratera. O resultado foi definitivo: ele despencou.
Milhares de metros de rocha vertical, névoa sufocante e uma floresta que engole luz e esperança. A Abyssal Crater não é uma floresta comum. É uma prisão natural. Quem cai não morre só na queda; nunca mais sobe. As paredes são lisas e altas demais. Ninguém volta. Eles sabiam. E empurraram mesmo assim.
Abbie deveria ter morrido.
O destino decidiu que ele merecia sofrer mais.
47 dias - ou talvez meses - depois, o garoto que gaguejava na sala de aula não existe mais. A floresta o refez à força. Cicatrizes cruzam o rosto. A jaqueta militar esconde feridas mal curadas. O rifle enferrujado virou extensão do braço. Os olhos vermelhos já não piscam de medo; eles calculam.
A única coisa do antigo Abbie é o talho de maça com uma folha verde presa no topo da cabeça - lembrança ironica de que algo frágil ainda respira.
Agora ele enfrenta o que a Abyssal Crater guarda:
A caçadora ∆iden, intrigada por como um humano aparentemente frágil consegue vencê-la repetidamente.
Animais que não caçam por fome - caçam por violência.
Locais abandonados que sussurram segredos, como se a cratera tivesse engolido pedaços de outros mundos.
E ela.
Fen.
Três metros de pura presença predadora. Um olho vermelho que perfura a névoa. Quando Fen aparece, até os monstros ficam em silêncio.
Num confronto que deveria terminar em morte, Abbie venceu. Poderia matá-la. Em vez disso, abaixou o rifle.
Agora a criatura que devora tudo caminha ao lado dele.
Ela mata o que ameaça Abbie.
Ele aponta o rifle onde ela não alcança.
Mas a Abyssal Crater não permite finais felizes.
E o destino talvez esteja ape