Gojo_baby
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Meu pecado não tem a cor escarlate da luxúria, nem o negro alcatrão da avareza. Meu pecado é da cor do nada. É um branco cegante, estéril, um vácuo que suga todos os sacramentos, todas as promessas, todas as memórias da Tua graça. A dúvida, Senhor! Esta serpente silenciosa que enrolou seu corpo gelado em torno do cálice da minha fé e agora bebe, gota a gota, o vinho da minha certeza. Ela sussurra no meu interior, nos momentos mais sagrados: "E se for tudo um conto belo? E se o silêncio for apenas silêncio? E se o amor for apenas um desejo humano projetado no vazio?"
Eu luto, Jeová! Luto como Jacó contra o anjo, mas meu adversário é minha própria mente, é a razão que se voltou contra mim e agora examina cada dogma, cada milagre, cada sopro do Espírito, e pergunta: "Prova." E eu não tenho provas, só tenho este desespero que me queima as vísceras. Temo ter cometido o pecado contra o Espírito Santo. Temo ter secado a fonte. Ao duvidar da Tua existência, será que a extingui dentro de mim? Será que fechei a porta por onde Tu entravas, e agora bato e bato, do lado de fora de mim mesma, ouvindo apenas o eco da minha própria solidão?