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Na costa de Phuket existe um vilarejo chamado Ban Thale Phatchara (Mar de Safira), próspero durante o dia e temido á noite. O lugar carrega uma lenda antiga pois quando a lua desce e o cheiro de jasmim perfuma o ar, ninguém permanece do lado de fora. As portam se fecham. O mar silencia. É o sinal de que A Sombra despertou. Há mais de cinquenta anos, ninguém ousa sair depois do pôr do sol. Dizem que, em noites alternadas, ela caminha arrastando suas correntes e escolhendo suas vítimas. Não há rastros. Não deixa corpos. Não há explicação, apenas o medo que mantém seus moradores em alerta.
A jovem Charlotte Austin, filha de um soldado inglês e de uma cozinheira tailandesa, aprendeu desde cedo a conviver com esse silêncio. Até a noite em que sua mãe desaparece e ela se recusa a aceitar o toque de recolher como resposta. Seguindo um rastro que todos evitam, ela chega à casa oculta pela mata onde A Sombra vive e lá encontra sua mãe, viva, mas marcada pelo medo, e toma uma decisão impensável: oferece-se em troca da liberdade de sua mãe. Condenada a dividir as noites com a criatura que assombra o vilarejo, Charlotte faz da única arma que possui um escudo contra aquela fera: o tempo.
Para adiar a própria morte, ela passa a contar histórias a cada noite para A Sombra. A cada encontro, ela conta uma história diferente e nunca concluídas. Sempre deixa algo por dizer. Um fio de curiosidade, uma promessa não cumprida. Enquanto as noites passam, Charlotte tenta compreender quem - ou o que - é a Sombra. Por que mata. Por que escolhe. E, sobretudo, por que parece ouvir suas histórias sem fim. Sob a lua baixa, entre perfumes doces e silêncios observadores, a jovem descobre que algumas lendas não existem para assustar, mas para esconder verdades que só podem ser vistas no escuro.