ever_cat03
Ga-yeon só queria sobreviver às dívidas; não imaginava que teria de sobreviver aos tiros. Endividada até o pescoço após sacrificar tudo para pagar a internação de um namorado doente que a traiu assim que teve alta, ela aceitou participar de um jogo secreto que prometia um prêmio milionário. A proposta era absurda, mas tentadora: arriscar tudo por uma chance de sair do fundo do poço. Contudo, bastou o primeiro corpo cair no chão, com um tiro seco na cabeça, para que a verdade se revelasse - naquele lugar, quem perde, morre. E ninguém pode sair, a não ser que o número de pessoas que quisessem sair fosse maior que as que queriam ficar na votação, que acontecia após cada jogo.
A raiva veio como uma onda quente, tomando seu corpo por completo - raiva de si mesma, por ter confiado; raiva de um sistema que a devorava desde sempre; raiva dos jogadores que aceitavam tudo em silêncio, como se a morte fosse natural. Mas, ao contrário deles, Ga-yeon não se quebrou. Ficou de pé, encarando aquele pesadelo com a fúria de quem já perdeu tudo. Se aquilo era um jogo, ela venceria. Se a regra fosse matar, ela mataria. Se o mundo estivesse contra ela, então o mundo que se preparasse. Ga-yeon não nasceu para se curvar. Sabia que não cairia - ganharia aquela porra.
E, no meio daquele caos, havia alguém que a incomodava mais do que o próprio jogo: o jogador 124. Namgyu. Silencioso, esquisito, com o olhar vazio e uma postura rígida que transparecia obediência cega. Ela o apelidou de "capacho do Thanos" e deixou claro que o desprezava. Ele parecia alheio a tudo, como se não se importasse com a morte, nem com a dor. Mas havia algo por trás daquela apatia. Namgyu era excêntrico, claramente drogado, mas estranhamente inteligente. Sabia jogar, sobreviver e manipular. E isso a deixava furiosa.
Ela sabia que venceria. Sabia que podia vencer sozinha. Mas Namgyu, com seus olhos opacos e alma em ruínas, era o erro que poderia arrastá-la com ele - ou salvá-la