dolliedesiire
Quando Natacha tinha apenas 14 anos, era perdidamente apaixonada por Gustavo. Um amor silencioso, intenso e doloroso, porque ele, imaturo e cruel como muitos garotos daquela idade, a machucava. Fazia bullying, ria, fingia indiferença. E, mesmo assim, ela se perguntava todas as noites como ainda conseguia gostar de alguém que lhe causava tanta dor.
Do outro lado estava Gustavo, também com 14 anos, carregando uma imaturidade que ele nem sabia nomear. Gostava de Natacha na mesma intensidade, mas não sabia como confessar. Cercado por amigos idiotas, ouviu deles que ela era "feia demais" para alguém como ele assumir, para andar de mãos dadas, para mostrar ao mundo. E, covarde, ele ouviu. Pior: concordou. Talvez fosse ainda mais idiota por isso.
Mas a verdade, aquela que ele nunca teve coragem de dizer em voz alta, era simples e confusa: ele a queria só para si. Queria assumir, queria a atenção dela inteira, queria ser escolhido. Só não soube amar direito. Até que ela foi embora. E ele a perdeu.
Cinco anos se passaram.
Natacha voltou. Dessa vez, para ficar. Mas o que existia entre eles agora parecia ser apenas repulsa - ou talvez fosse só o peso de tudo o que nunca foi dito. Talvez eles nunca tivessem ficado realmente sozinhos. Talvez nunca tivesse existido, de fato, uma conversa sincera entre os dois.
Agora, o destino lhes oferecia uma nova chance: recomeçar, se descobrir, curar feridas antigas.
Mas a pergunta que ecoava entre olhares contidos e silêncios longos era uma só: será que, depois de tudo, os dois ainda querem?