lohangomescosta
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Eu cresci ouvindo vozes que ninguém mais ouvia.
Via vultos nos cantos dos quartos, mãos geladas roçando minha nuca enquanto eu tentava dormir, e olhos me observando de dentro do espelho quando eu tinha certeza de que estava sozinho.
Os adultos diziam que era imaginação.
Que criança nenhuma via fantasmas de verdade.
Que eu precisava parar de inventar histórias.
Mas eu não inventava.
Eu só era a única que ainda conseguia enxergar o que todo mundo fingia que não existia.
Esta não é uma coletânea de terror comum.
São os registros reais de uma infância marcada pelo sobrenatural - relatos crus, às vezes doces, muitas vezes aterrorizantes, escritos pela perspectiva de quem nunca teve escolha senão conviver com os mortos, os perdidos e os que nunca partiram.
Aqui não tem herói corajoso, não tem final feliz garantido.
Tem só uma criança tentando sobreviver em uma casa onde as portas rangem sozinhas, onde os brinquedos se mexem à noite e onde o medo tem nome, endereço e, pior de tudo, paciência.
Se você acha que fantasma é só coisa de filme...
bem-vindo à minha infância.