annalizie
Vesper Akheldama tinha mais séculos nas costas do que aranhas nos vãos da biblioteca abandonada de Pedra do Dragão.
Escondida atrás de capas de contos fantasiosos, sob a ignorância dos vagantes da fortaleza de pedras de fogo, aquela gentil garota ocultava uma verdade que raramente um coração pulsante conhecia: ela não estava viva à muito tempo.
Cercada por teias translúcidas, sombras frias e os inúmeros livros mais antigos que si mesma, a doce Criatura da Noite - uma vampira, se consultasse um de seus mitos empilhados sob as estantes - era uma velha companheira dos anos intermináveis. Com o passar vago do tempo, Vesper havia se acostumado à fragilidade e beleza da vida que não mais possuía.
O inesperado, todavia, começou com o mais denso inverno que aquela alma centenária já vira. A Akheldama, desde que seu peito silenciara, via as estações somente como sinônimos de comida - já que o sol a feria quase mais que um coração partido, e disso ela entendia muito bem. A razão era que, diferente de qualquer Criatura da Noite solta num castelo recheado de vida quente e pulsante, Vesper se alimentava unicamente de pequenos animais desafortunados à encontrá-la. E, com seu juramento a si mesma de nunca tirar uma vida humana, independente do motivo, ela se viu em reais apuros. Inverno significava comida amena - geada interminável simbolizava fome.
Sem saber o que fazer para salvar-se, cada noite mais fraca, o que essa vampira nunca imaginou era ver um príncipe Velaryon adentrar as portas escondidas e tentar atentar contra a própria vida.
Vesper Akheldama definitivamente não esperava se ver num acordo por uma vida que sequer conhecia. E, do outro lado de uma promessa nascida nas sombras, Lucerys Velaryon não contava em oferecer seu sangue para salvar uma Criatura que poderia dá-lo o que queria num piscar de olhos.
Mas promessas são feitas para serem cumpridas, mesmo que um dos corações esteja condenado ao silêncio eterno.