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Algumas pessoas nascem pertencendo ao lugar de onde vieram, outras passam a vida tentando fugir dele. Charlotte Whitmore sempre acreditou fazer parte do segundo grupo, criada sob o sol quente de Austin, entre estradas de terra, cavalos inquietos e horizontes sem fim, ela jurou que jamais se limitaria à simplicidade de suas origens. Ambiciosa, impecável e determinada, trocou as botas pela seda, o sotaque pela elegância estudada e o passado por uma vida construída entre luxo, prestígio e admiração. Tornou-se tudo o que desejava ser e, no processo, esqueceu quem era.
Louise Ellen Holloway jamais entendeu o fascínio que as pessoas tinham por fugir. Enraizada à terra que cultivava e às pequenas verdades do cotidiano, ela carregava nas mãos marcas de trabalho honesto e no olhar a serenidade de quem não precisava provar nada a ninguém, Louise era feita de constância, gentileza e força silenciosa; daquelas presenças raras que não exigem atenção, mas inevitavelmente a tomam para si. Para ela, riqueza nunca esteve em cifras e sim naquilo que permanecia quando todo o resto ia embora.
Quando Charlotte retorna ao interior decidida a transformar uma antiga propriedade em seu mais novo projeto, espera encontrar apenas distância e controle, o que encontra, porém, é Louise e a irritante facilidade com que aquela mulher atravessa suas defesas. Entre provocações sutis, diferenças gritantes e uma atração que nenhuma das duas pretendia sentir, Charlotte começa a recordar tudo o que enterrou para se reinventar, Louise, por sua vez, descobre que por trás da postura impecável existe alguém perdida entre aquilo que conquistou e aquilo que abandonou.
Há encontros que mudam destinos; outros desenterram verdades e entre campos abertos, memórias esquecidas e sentimentos cada vez mais difíceis de negar, Charlotte Whitmore perceberá que certas raízes podem ser arrancadas da terra, mas nunca do coração.