LipeAcordado
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Numa linhagem marcada por sombras e segredos sussurrados, existe mais do que a simples herança genética. Há a Melancholia, uma entidade ancestral que se enraíza no solo fértil da tristeza e da amargura humana. Não escolhe gênero, mas elege corações despedaçados, oferecendo em troca um poder fora do contexto da realidade, uma centelha de domínio sobre a própria dor e, por vezes, sobre os que a infligiram.
Por gerações, a Melancholia tem passado adiante, como uma sombra faminta saltando de alma em alma, nutrindo-se dos lamentos não ditos, das injustiças rancorosas e dos pedaços quebrados de esperança. A cada hospedeiro, concede uma parcela de sua força sinistra, um brilho fugaz de controle que mascara a teia de dependência. Pois a moeda desse poder é a própria essência da tristeza, um banquete perpétuo que mantém a Melancholia viva e potente.
Agora, a corrente sombria converge para um garoto em meio ao turbilhão da vida. Inexperiente, talvez já carregando as cicatrizes invisíveis do descontentamento e das pequenas tragédias cotidianas, ele se torna o próximo elo nessa cadeia ancestral. O poder latente desperta, sussurrando promessas de vingança, de reconhecimento, de uma fuga sombria da realidade. Mas o preço, ele logo descobrirá, é a perpetuação de um ciclo vicioso, onde sua ascensão está intrinsecamente ligada à profundidade de sua própria infelicidade e à fome insaciável da Melancholia, um hóspede invisível que reside no seu ser, alimentando-se da escuridão que ele jamais poderá verdadeiramente superar.