ladyarickman
Elizabeth D'avilla não é o tipo de mulher que pede permissão para existir. Aos 30 anos, brasileira e subeditora da revista mais barulhenta de Londres, ela sobrevive à base de sarcasmo, café adoçado e a teimosia de quem se recusa a ser apenas mais um rosto na multidão. Ela é autêntica, imperfeita e está perfeitamente acostumada com o silêncio de seu apartamento solitário - até que o destino a coloca diante de um homem que transforma o silêncio em uma arma de sedução.
Alan Rickman é o impossível personificado. Cinquenta e seis anos, uma voz barítona que reverbera como um trovão e uma presença que exige o ar de qualquer sala que ocupe. Ele é um gigante das artes, um homem que protege sua privacidade com a fúria de quem já viu tudo, e que certamente não deveria ter nada em comum com a jornalista de ressaca que invade sua suíte e bebe seu café.
O que começa como um erro técnico de percurso torna-se uma combustão inevitável. Lizzy não esperava precisar dele; Alan não imaginava que deixaria alguém entrar. Entre os ombros largos que bloqueiam a luz e o toque de dedos frios em pele quente, nasce uma intensidade que desafia a lógica, a idade e o bom senso.
Não é apenas um flerte. É um reconhecimento. Um choque entre o "caos brasileiro" e a "elegância britânica" que culmina em uma biblioteca à luz de velas, onde os livros são as únicas testemunhas de uma fome que as palavras não conseguem descrever.
Em uma Londres cinzenta, eles descobriram que o fogo mais perigoso é aquele que nasce de um simples gole de café.