lizadonfort
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Malia se muda sozinha para uma casa em uma rua tranquila onde não conhece absolutamente ninguém. Nova cidade, com a expectativa de que ali consiga se reconstruir longe das mágoas que ainda pesam no peito. Ela não contou a ninguém o verdadeiro motivo da mudança. Alguns recomeços nascem de um coração que precisou sobreviver.
Logo no primeiro dia, descobre duas coisas:
A vizinha da frente, Jessy, é a sua própria definição em alguns aspectos, fala rápido, ri alto e decide, sem pedir permissão, que Malia agora é oficialmente sua amiga.
E o vizinho da casa ao lado, Jake, não sorri.
Jake mora ali há anos e prefere que o mundo continue quieto, previsível e distante. Ele não gosta de mudanças. Não gosta de visitas inesperadas. E definitivamente não gosta da energia caótica de Jessy atravessando as ruas e cercas como se fossem meros detalhes. Mas o que ele realmente evita não são pessoas, são memórias.
Há uma parte da sua vida que ele decidiu deixar no passado, evita lembranças, flashbacks ou memórias que insistem voltar, em uma madrugada qualquer.
Malia percebe isso. Ela também tem uma parte da sua vida assim.
Ela não força e não invade. Só observa. E talvez seja justamente por isso que Jake começa a notar a luz acesa na casa dela até tarde, o jeito cuidadoso como ela rega as plantas, o silêncio que os dois compartilham sem precisar preencher.
Entre bolos deixados na varanda, cercas consertadas em silêncio e noites em que a luz da casa dele também fica acesa por tempo demais, Malia entende que o vizinho rabugento talvez não seja frio, só esteja protegendo um segredo que ainda dói.
Enquanto Jessy insiste em aproximá-los, eles vão aprender que alguns segredos não precisam ser escondidos para sempre.
Alguns só precisam de alguém que fique, que beijei suas feridas e admire suas cicatrizes.