Lalobs
Esmeray nunca aprendeu a conjurar um feitiço.
Enquanto o mundo era reconstruído sobre restos de magia quebrada, ela permaneceu igual: mãos vazias, silêncio por dentro. Onde outros sentiam ecos arcanos, ela sentia apenas ausência.
Chamaram-na de maldição, um fardo. Cada lugar custou-lhe algo que não voltou: nomes, rostos, partes de si que nem o vazio conseguiu guardar.
A magia seguiu adiante sem ela.
E ela seguiu adiante sem a magia.
Não havia glória em sobreviver sendo aquilo que o mundo precisava, mas jamais soube amar.
E quem poderia a amar para aprender.