kemmilyu
A aparência de Amaya naquele dia era uma declaração de intenções.
Ela vestia uma blusa social branca, impecavelmente passada, e uma saia de pregas escura que ia até o meio de suas coxas, revelando a pele alva que parecia nunca ter tocado o sol.
Por cima, a capa negra sem brasão fluía como uma sombra líquida, mas era o capuz levantado que criava a barreira final.
Ele cobria a parte superior de seu rosto, deixando visíveis apenas os lábios pálidos e o queixo firme.
Entre os dentes, ela sustentava um pirulito de cereja que Ninfadora lhe empurrara no último segundo - um toque de rebeldia infantil que contrastava com sua aura de seriedade.
Amaya subiu no Expresso de Hogwarts. Enquanto caminhava pelos corredores estreitos, o som de sua bota batendo no chão de metal era abafado pelo burburinho constante. Ela procurava por uma cabine vazia, mas sua presença já começava a atrair olhares.
Uma garota de capa sem brasão, com o rosto oculto e uma postura que exalava uma autoconfiança gelada, era uma anomalia naquele trem.
Ao passar pelas cabines do meio, Amaya sentiu uma mudança na atmosfera.
O ar ali parecia mais carregado, saturado de perfume caro e vozes que carregavam o peso do sobrenome e do privilégio. Foi quando ela passou pela cabine de Draco Malfoy.
A porta estava entreaberta. Draco estava sentado de forma relaxada, contando vantagem sobre as férias com Pansy Parkinson e os capangas Crabbe e Goyle. Mas, assim que a sombra de Amaya cruzou o vidro da porta, o loiro se calou.