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Margaret e Ethan se amaram quando ainda não sabiam exatamente quem eram. Aos vinte e dois anos, acreditavam que o sentimento bastaria para sustentar qualquer futuro, até descobrirem que amar também exige tempo, presença e escolhas difíceis. Enquanto Ethan vivia projetando o amanhã, obcecado por tudo o que ainda precisava conquistar, Margaret preferia o agora - o cotidiano, os pequenos instantes, a vida acontecendo enquanto o futuro era adiado. O amor existia. O tempo, não. E assim, eles se perderam.
Cinco anos depois, a vida parece ter recompensado ambos. Margaret abriu o café que sempre sonhou, um espaço acolhedor que carrega sua essência e oferece pausa em meio à pressa da cidade. Ethan se tornou um nome respeitado no mundo dos investimentos, alguém acostumado a decisões calculadas, controle absoluto e metas inalcançáveis. À primeira vista, cada um seguiu em frente. Na prática, apenas aprenderam a conviver com o silêncio deixado pela ausência do outro.
Até o dia em que Ethan entra no café de Margaret por acaso, buscando apenas um café forte antes de uma reunião importante.
O reencontro, simples e inesperado, desestabiliza certezas construídas com esforço e traz à tona tudo o que nunca foi devidamente encerrado. Entre olhares contidos, palavras que hesitam em sair e lembranças que insistem em permanecer, Margaret e Ethan se veem diante da mesma pergunta que os separou anos atrás - agora mais madura, mais urgente, mais real:
É possível amar alguém sem abrir mão de quem se é?