JucaNol
Vera tem 34 anos e trabalha como "organizadora de desapegos" - ajuda pessoas a se livrarem de coisas acumuladas. Não é só organização profissional. É mais fundo. Ela entra em casas caóticas e transforma elas através da eliminação.
O detalhe: Vera consegue *sentir* as memórias e emoções grudadas nos objetos. Não é paranormal no sentido sobrenatural - é quase sinestésico. Uma xícara velha traz o gosto de uma discussão. Um casaco esquecido pesa como tristeza física. Ela sempre foi assim, desde criança, e aprendeu a usar isso profissionalmente.
O livro começa quando ela é contratada por Davi, um homem de 38 anos que herdou um antiquário falido do tio. Mas o antiquário não é normal. Cada objeto ali foi abandonado por alguém - deixado propositalmente, como quem abandona parte de si mesmo. E todos esses objetos *gritam* pra Vera. Ela não consegue ignorar.
Davi quer se livrar de tudo. Vera quer ajudar. Mas quanto mais ela lida com esses objetos, mais percebe que eles formam um mapa. Histórias conectadas. Pessoas que perderam coisas - ou se perderam - e deixaram rastros materiais.
E então Vera encontra, no fundo do antiquário, uma fotografia da própria mãe. Que morreu quando ela tinha doze anos. Supostamente num acidente. Mas por que essa foto está ali?