_Jeny_souza
Thiago vive no epicentro de um paradoxo: é consumido por multidões que o idolatram, mas habita um vazio que ninguém consegue preencher. Sua arte é feita de letras cruas e um silêncio ensurdecedor que começa assim que as luzes do palco se apagam. Para o mundo, ele é o ícone inalcançável; para si mesmo, é uma identidade fragmentada pelo cansaço e pela vigilância constante.
O encontro com Karla não acontece sob os refletores, mas no chão batido da Axis Flux, entre o suor e a disciplina das barras de alongamento. Filha de uma linhagem dedicada ao movimento, Karla não busca o aplauso; ela busca a tradução. Quando Thiago a contrata para dar corpo às suas composições, ele não encontra apenas uma coreógrafa, mas um espelho. Ela é a única capaz de ler as entrelinhas de suas músicas, transformando cada verso angustiado em um gesto de liberdade.
A parceria, inicialmente profissional, floresce na penumbra dos bastidores e no isolamento das viagens. Entre eles, nasce uma linguagem que dispensa explicações: uma conexão feita de olhares contidos e da rara paz de não precisar sustentar um personagem. No entanto, o título da obra carrega a sua própria sentença. No universo de Thiago, o amor é um luxo que a exposição tenta confiscar.
• "Amar sob o escrutínio do mundo não é apenas um risco, é uma contagem regressiva."
À medida que a pressão da carreira e o medo de perder a essência aumentam, Karla e Thiago percebem que proteger o que sentem exige um preço alto demais. "Cheiro de Despedida" é o retrato de um romance que nasce com a urgência de quem sabe que o tempo é um recurso escasso. É a jornada de duas almas que descobrem que o maior desafio não é o encontro, mas a consciência de que, em um mundo onde tudo é público, o amor mais verdadeiro muitas vezes já nasce com gosto de adeus.