saskidecalcinha
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O outono chegou cedo naquele ano.
As folhas desbotadas se amontoavam nas calçadas como cartas que nunca foram lidas, e o vento frio parecia sussurrar segredos que ninguém queria ouvir. Madara caminhava sozinho até a escola, com os fones nos ouvidos e o capuz puxado até os olhos, como se aquilo pudesse esconder a tempestade que crescia dentro dele.
Ele passava pela mesma rua de sempre, os mesmos portões de ferro, os mesmos sorrisos falsos. A diferença era que, agora, tudo doía. Até respirar.
Ninguém sabia como era o silêncio dentro da sua casa. O tipo de silêncio que grita. O tipo que faz você se encolher todo dia e pedir, mesmo sem fé, que amanhã não chegue.
Mas Hashirama... Hashirama era luz.
Era aquele tipo de pessoa que te fazia acreditar que o mundo não era tão ruim assim. Que alguém, em algum lugar, podia enxergar você - mesmo quando você só queria desaparecer.
Só que nem toda luz é suficiente, e amar alguém que nunca vai entender o que você sente é como tentar acender uma vela debaixo d'água.
🏅 #4 em HashiMada (09/08/2025)