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Todo mundo na medicina conhecia o nome dela. Pascale Leclerc.
Charles crescera ouvindo aquele nome em corredores silenciosos, em auditórios lotados, em salas de cirurgia onde ele não tinha permissão para entrar. Diziam que ela era brilhante. Que suas mãos eram precisas. Que ela conseguia encontrar soluções onde ninguém mais conseguia ver esperança.
Ele acreditava em tudo isso. Até o dia em que ela olhou para ele como se fosse um estranho.
O Alzheimer não levou sua habilidade de uma vez. Levou aos poucos. Primeiro pequenos esquecimentos, depois rostos, depois pedaços inteiros de uma vida que ela havia construído com tanto cuidado. Charles aprendeu a não corrigir quando ela errava seu nome. Aprendeu a aceitar o silêncio onde antes existiam palavras.
E, ainda assim, ele escolheu o mesmo caminho.