queen_of_daywalkers
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Ninguém percebe quando a vida muda. Só quando já é tarde demais para correr.
O mundo continua girando, indiferente, enquanto alguém aprende que o perigo não anuncia a própria chegada. Algumas escolhas não são feitas - são impostas. E, a partir dali, sobreviver deixa de ser um direito e passa a ser um acordo silencioso.
Est tem 23 anos e é um nome que não se diz em voz alta. Jovem demais para o poder que carrega, violento demais para a própria idade, ele governa um império erguido sobre sangue, lealdades quebradas e corpos que nunca foram encontrados. Estratégico, frio e absolutamente implacável, Est aprendeu a transformar pessoas em recursos e sentimentos em fraquezas que não pode se dar ao luxo de ter.
Nada o surpreende. Nada o desestabiliza.
Até William.
O que começa como controle se torna posse. O que deveria ser descartável se torna essencial. Pela primeira vez, Est enfrenta um inimigo que não pode matar
William tem 19 anos e aprendeu cedo que casa nem sempre é sinônimo de abrigo. Ele divide um apartamento pequeno com um pai que passa os dias bêbado, afundado em garrafas e ausências, deixando para o filho o peso das contas, do silêncio e da responsabilidade que nunca deveria ter sido dele.
Pobre, exausto e sempre à beira do colapso, William trabalha mais horas do que seu corpo aguenta para pagar a faculdade e manter um teto sobre suas cabeças. Estudar é a única coisa que ainda o faz acreditar em saída. Em casa, ele não existe. No mundo, ele passa despercebido.
William não sonha alto. Ele só quer aguentar mais um dia.
Entre noites mal dormidas, ônibus vazios e a culpa constante de abandonar alguém que já o abandonou primeiro, William vive no limite - até cruzar o caminho de um homem que enxerga nele algo que ninguém nunca viu.
O perigo não entra na vida de William como ameaça.
Entra como presença.
E talvez essa seja a parte mais assustadora de todas.