teadvo
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OrmLing | Friends to lovers 📷
Lingling sempre acreditou que algumas coisas precisavam ser construídas com precisão. Um casamento estável, um marido gentil, uma vida organizada o suficiente para não sair do controle. Durante muito tempo, isso pareceu bastar.
Até o dia em que ela conhece Kornnaphat.
Fotógrafa do seu casamento, Orm enxerga o mundo através de lentes, enquadramentos e detalhes que a maioria das pessoas deixaria passar. Há algo desconcertante na forma como ela observa as coisas. Como se estivesse sempre procurando profundidade onde todo mundo aprendeu a olhar apenas para a superfície.
No começo, é simples.
Conversas ocasionais. Fotos enviadas tarde da noite. Cafés que duram mais do que deveriam. Uma curiosidade silenciosa que Lingling insiste em tratar como coincidência.
Mas algumas imagens permanecem mesmo depois do clique.
E algumas pessoas também.
Aos poucos, Lingling começa a perceber pequenas rachaduras na vida cuidadosamente construída que sempre chamou de felicidade. O silêncio do próprio apartamento. A distância escondida dentro do conforto. A sensação inquietante de estar sendo vista pela primeira vez justamente por alguém que jamais deveria ocupar esse espaço.
Porque Orm não aparece apenas nas fotografias.
Ela aparece nos pensamentos de Lingling. Nos detalhes. Nas pausas. Naquilo que ela evita encarar por tempo demais.
E quanto mais tenta entender o que sente, mais difícil se torna distinguir onde termina a admiração e onde começa algo capaz de destruir tudo o que ela levou anos para construir.
Depth.
Do inglês, profundidade.
E talvez seja exatamente sobre isso.
Sobre tudo aquilo que existe abaixo da superfície.
Sobre sentimentos que começam silenciosos demais para parecer perigosos.
Sobre afundar lentamente em alguém até não conseguir mais distinguir onde termina a curiosidade e onde começa o desejo.