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No século em que o nome de uma família valia mais do que uma vida inteira, destinos eram firmados com tinta, selos e promessas feitas sobre o orgulho - nunca sobre o coração. Antes mesmo de nascerem, Park Jimin e Jeon Jungkook já pertenciam um ao outro. Não por escolha, não por afeto, mas por um acordo antigo, firmado entre homens que acreditavam que o amor era um luxo dispensável. Se um alfa e um ômega viessem ao mundo sob aqueles sobrenomes, seriam unidos. Sem exceções. Sem recusas. Sem perdão.
Park Jimin cresceu cercado por palavras, refúgio silencioso de quem jamais teve voz. Aos vinte e dois anos, tornou-se um ômega de postura delicada e espírito inquieto, moldado por livros, poemas e sonhos que jamais ousou confessar. Seu futuro fora decidido antes de aprender a escrever o próprio nome. Amar alguém por escolha própria nunca lhe foi permitido - apenas cumprir o papel que lhe fora imposto.
Jeon Jungkook, seis anos mais velho, foi criado entre lâminas, estratégias e sangue derramado em campos distantes. Alfa, príncipe e herdeiro do trono, aprendeu cedo que fraqueza não tinha lugar em sua linhagem. Ao retornar da guerra, marcado por cicatrizes que não se viam, encontrou seu maior dever à sua espera: o casamento com o ômega que lhe fora prometido desde o berço. Somente assim poderia vestir a coroa.
Quatro anos se passaram desde a união forçada. Quatro anos de convivência fria, palavras medidas e olhares carregados de rancor. Sob o mesmo teto, partilhavam o silêncio como se fosse uma sentença. Não havia ternura, não havia abrigo - apenas a lembrança constante de que estavam presos um ao outro por algo maior que eles mesmos.
Até que as cláusulas esquecidas do contrato familiar voltaram a exigir seu preço. Um herdeiro deveria nascer antes que o quinto ano de casamento se encerrasse.
A ordem era clara, impiedosa e desprovida de humanidade. Não se tratava de união, mas de obrigação. pelo dever, corpos aproximad