annalizie
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O mar sempre esteve na vida de Lucerys Velaryon. Seja em suas veias ou no quebrar das ondas abaixo de sua janela, aquele príncipe o carregava consigo.
Com sussurros cruéis ecoando entre os fios escuros de seus cabelos, o herdeiro de Derivamarca aprendera que, mesmo com o oceano nos olhos, haviam correntezas que não o levavam a lugar nenhum a não ser as profundezas de si mesmo - e a tentação de enfim perder-se na imparcialidade das ondas começou a ser pesada demais para seus ombros esguios.
O Velaryon de alma reclusa, calos entre os dedos - feitos por cordas de uma harpa, não um arco e lâminas de ferro - e o eco incessante da bastardia entre as artérias sentia-se vivendo sob um véu embaçado de sua própria vida. Nada parecia real. Nada parecia verdade.
Todavia, numa de suas fugas à praia, sobre a usual rocha que compartilhava o peso de sua inadequação, aquele príncipe de alma melancólica e olhares que diziam mais do que seus lábios, nunca imaginaria que encontraria a resposta de todas suas orações desesperadas aos Sete por alegria, luz e veracidade no meio do mar - e muito menos que ela fosse uma sereia com olhos adoravelmente grandes e uma tentação por pães com mel e perguntas ingenuamente inadequadas.
Foi numa praia que Lucerys Velaryon encontrou e transformou - muito mais que somente de uma cauda escamosa à pernas desgovernadas - a vida de Scylla Thalora. E essa sereia cheia de perguntas e uma estranha fascinação por cavalos e beijos-de-golfinhho não somente mudou-o para sempre, como também fez uma correnteza nova surgir em seu coração.
Foi assim que Luke prometeu a si mesmo: independente do que o Destino lhe houvesse preparado, ele a encontraria na praia. Em todas as vidas.