anaversi
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Há quem diga que o primeiro amor é inesquecível.
Eu discordo.
O inesquecível não foi me apaixonar por ele.
Foi nunca perceber exatamente quando aquilo aconteceu.
Talvez porque algumas pessoas não chegam de repente. Elas simplesmente... sempre estiveram ali.
Como o sol nas manhãs de verão.
Como o cheiro de café na cozinha.
Como a voz da minha mãe me chamando para o jantar.
Como ele.
Quando me perguntam onde tudo começou, esperam uma resposta bonita.
Esperam que eu fale de um olhar demorado, de um encontro inesperado ou de alguma coincidência digna de filme.
Mas a verdade é bem menos cinematográfica.
Tudo começou numa tarde qualquer.
Eu tinha oito anos.
Acabava de deixar a Itália para trás e estava convencida de que jamais voltaria a me sentir em casa. Enquanto meus pais descarregavam caixas da mudança, eu observava o quintal pela janela, tentando encontrar alguma coisa que me fizesse acreditar que aquela cidade desconhecida poderia, um dia, ser minha também.
Foi então que a campainha tocou.
Do outro lado da porta havia uma família sorridente, um bolo de boas-vindas... e um menino de dez anos segurando uma bola de futebol debaixo do braço.
Ele não disse "prazer".
Não perguntou de onde eu vinha.
Nem tentou parecer educado.
Apenas olhou para mim por alguns segundos, como se estivesse resolvendo um quebra-cabeça.
- Seu nome é Jade?
Assenti.
Ele sorriu.
- Jade é uma pedra preciosa.
Revirei os olhos.
- Eu sei.
- Então vou te chamar de Preciosa.
Lembro de ter dito que era um apelido bobo.
Lembro de ele dar de ombros, como se minha opinião não fosse mudar absolutamente nada.
E não mudou.
Porque, desde aquele dia, eu nunca mais deixei de ser a Preciosa dele.
Nem quando brigávamos.
Nem quando a vida ficou complicada.
Nem quando o mundo inteiro passou a chamá-lo de Gabriel Martinelli.
Para mim...
Ele continuou sendo só o Gabi.
Engraçado.
Passei anos tentando descobrir em que momento deixei de enxergar meu