aaliciinha
Osamu Dazai tem 15 anos e carrega um cansaço que ninguém da idade dele deveria conhecer. Acorda todo dia com a mesma sensação: nada importa muito. As provas, os professores, os colegas de classe... tudo passa por ele como se fosse um borrão. Ele responde pouco, observa muito e se tranca dentro da própria cabeça porque lá dentro, pelo menos, ninguém o machuca. Vive com o tio Oda, o único que tenta entendê-lo, mas nem ele consegue atravessar completamente o muro que Dazai ergueu ao redor de si.
Então ele aparece: Nakahara Chuuya - como alguém que chega abrindo janelas numa sala que estava fechada há anos.
Chuuya é baixo, ruivo, cheio de uma energia que parece grande demais para o corpo que tem. Toca guitarra como se o som fosse parte do sangue dele. Sabe entrar num lugar e deixá-lo mais barulhento, mais vivo. As pessoas notam Chuuya mesmo quando ele não tenta. E quando tenta... é impossível ignorar.
Dazai tenta. Tenta muito. Mas Chuuya não facilita.
Por algum motivo que ninguém entende, ele escolhe Dazai como alvo das provocações, dos sorrisos tortos, das cutucadas afiadas. Talvez porque Dazai é quieto demais. Talvez porque Chuuya enxerga algo nele que o próprio Dazai evita olhar.
E é aí que tudo começa a desandar.
Entre brigas que não fazem sentido, discussões que duram mais do que deveriam e olhares que eles fingem não perceber, nasce algo que nenhum dos dois sabe nomear. Não é amizade. Não é rivalidade. Não é ódio - pelo menos, não só.
É aquela sensação incômoda de que alguém finalmente consegue atravessar o que você passou anos tentando proteger.
E isso assusta.
Porque, no fundo, eles sabem: uma vez que atravessarem essa linha, não tem mais volta.
E talvez seja exatamente isso que os apavora - e que, ao mesmo tempo, os atrai...