AzVerb
E se o maior ritual místico da ficção não acontecesse nos templos ocultos de Fuyuki, mas no asfalto quente e implacável de Nova Guanabara? Esqueça os magos aristocratas e as linhagens milenares das obras clássicas de Fate. Aqui, a Guerra pelo Santo Graal é um moedor de carne urbano, onde o cálice cobiçado assume uma forma sombria e viscosa que atrai os piores instintos de uma elite sedenta por controle. Quando as marcas de comando despertam e o sangue começa a correr, a própria história e os mitos esquecidos do país são arrancados do passado e ganham corpo nas sombras da cidade: um corpo que bala não atravessa, uma lâmina erguida por um trono que ninguém lhe deu, um grito de guerra que a terra nunca esqueceu.
No epicentro desse fogo cruzado místico, um grupo da periferia é arrastado para um tabuleiro de sobrevivência onde o preço da magia é pago em desespero e suor. Evocando a atmosfera psicológica e o dinamismo clássicos desse universo, esta narrativa pulp destila perseguições frenéticas e confrontos onde sangue, fé e ideologia colidem sob o olhar silencioso do Salvador. Contra um poder capaz de reescrever quem sobra e quem se esquece, a pergunta não é quem vai vencer - é quem ainda vai estar de pé pra contar a história depois.
No fim das contas, não importa se o cálice está pela metade, meio cheio ou meio vazio; tudo que importa é a sede.
Capa por @brendacbrettas