alicebrielky
Larissa sempre aprendeu a observar antes de agir.
Não era frieza gratuita, nem pose. Era defesa. Cresceu entendendo que atenção demais costuma vir com expectativas escondidas, e ela nunca gostou de dever nada a ninguém. Confiante, direta, dona de si, carregava um ego alto - não por vaidade, mas por sobrevivência. Não se impressionava fácil, não se jogava em histórias pela metade e muito menos se deixava levar por status.
Ambientes cheios nunca a intimidaram. Pelo contrário. Ela sabia circular neles com controle absoluto, sem precisar disputar espaço ou elevar a voz. Quem quisesse chegar até ela precisava, antes de tudo, respeitar o silêncio que ela impunha.
Luiz Araújo era o oposto no que parecia - e parecido no que escondia.
Acostumado à pressão, aos olhares, à cobrança constante de jogar bem e vencer, Luiz vivia num mundo onde tudo era disputa: posição, espaço, reconhecimento. Dentro de campo, resolvia com intensidade. Fora dele, mantinha a mesma postura confiante, quase automática. Não por arrogância pura, mas porque sempre foi assim que funcionou: avançar, conquistar, não hesitar.
Só que havia limites que ele raramente encontrava. Pessoas que não reagiam como esperado. E isso o tirava do eixo mais do que qualquer vaia.
O Flamengo era o centro de tudo. Jogos lotados, vestiários tensos, treinos intensos, cobranças diárias. As relações se misturavam com o futebol: amizades, festas, conversas atravessadas, silêncios que diziam mais do que palavras. Nada ali era simples - nem dentro, nem fora de campo.