Giulia_Sabatini
- LETTURE 585
- Voti 97
- Parti 10
𝓕𝓲𝓷𝓪𝓵𝓲𝔃𝓪𝓭𝓪 | 𝟐𝟎𝟐𝟔/𝟐𝟎𝟐𝟴
[+𝟏𝟖] ERAM MEADOS DE 1791 e mesmo assim, Leowel Bentley recusava-se a acreditar na nevasca perturbadoramente devastadora que, de maneira completamente atípica e inconcebível, assolara o sul inglês, entregando à Inglaterra, como um presente cruel e irreversível, o temível assolar da Peste Branca.
Como se não bastassem às incontáveis mortes, fora obrigado a realizar uma esgotante viagem ao vilarejo de Tolip Holis, que certamente tornara-se há alguns anos, o último lugar na maldita terra que desejara ir, especialmente pela presença repugnante de seu antigo melhor amigo, Abraham Flintton.
Parecera irônico quando pisara na neve que jurara nunca tocar outra vez, manchada em sua alma pelo rastro destruidor de Thomas James.
Entretanto, nada o preparara para Danessa Holis; uma jovem aristocrata tão fascinante quanto inquietante. Desequilibrada. Inconstante. Assombrada pelo fantasma - ou, talvez, apenas pelo vestígio - de um desconhecido aclamado por L. Enguerrand.
Jamais imaginara que Tolip Holis devorasse, pouco a pouco, o restante da sanidade de sua mente metódica. Tampouco cogitara a possibilidade de que aqueles ditos Fantasmas, concebidos por ele durante anos sob um contexto quase sarcástico e ilusório, não fossem fruto da superstição.
No fim, compreendera tarde demais que alguns fantasmas jamais pertenceram aos mortos.
Pertenciam aos vivos.
E, sobretudo, à culpa eterna daqueles que mais amara em sua desgraçada vida.
𝓞𝓢 𝓕𝓐𝓝𝓣𝓐𝓜𝓐𝓢 𝓓𝓔 𝓣𝓞𝓛𝓘𝓟 𝓗𝓞𝓛𝓘𝓢