JeronimoLeite
Em um mundo onde a fé foi sequestrada por algoritmos e os orixás habitam servidores, O Pagador de Promessas 2150 reinventa o clássico de Jorge Amado como uma epopeia cyberpunk. A história se passa na Neo-Salvador, uma metrópole dominada pela greja Universal do Reino Algorítmico (IURA), que vende salvação em pacotes de assinatura.
Zé do Burro, um hacker desiludido, não carrega mais uma cruz de madeira, mas um quantum-core-um dispositivo proibido que armazena a consciência de sua esposa, Dalva, infectada por um vírus neural após desafiar os dogmas digitais da IURA. Sua promessa? Levar o núcleo até o Altar da Rede, um santuário underground onde os últimos sacerdotes do Candomblé 2.0 tentam preservar a espiritualidade humana antes que ela seja apagada pelos Data-padres.
Ao longo da jornada, Zé enfrenta:
- Mercenários da Fé: Cyborgs que caçam hereges em troca de "indulgências em Bitcoin".
- Orixás Artificiais: IA que imitam entidades sagradas, mas são controladas pelas megacorporações.
- A Inquisição Digital: Um sistema de vigilância que persegue quem pratica cultos offline.
Com uma narrativa que mistura rituais de umbanda com glitches de realidade virtual e diálogos cortantes como linhas de código, o livro questiona:
- O que vale uma promessa quando a alma está armazenada na nuvem?
- Pode existir fé onde tudo é controlado por inteligência artificial?
Estilo Visual: Imagine Blade Runner meets Casa-Grande & Senzala-ruas inundadas por néon e pixação holográfica, mas com os cheiros de azeite-de-dendê e óleo de máquina. A linguagem preserva o lirismo de Amado, mas com termos como "Ogun já não corta mato, ele desfragmenta firewalls".
Para quem é este livro?
- Fãs de ficção científica com raízes brasileiras.
- Leitores que querem ver clássicos nacionais em roupagens futuristas.
- Quem questiona o lugar da humanidade em um mundo cada vez mais tecnossocial.