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Enemies to lovers & drama | Farm love
Sonya Pedersen não chegou à fazenda dos Wangpongsathaporn por ambição. Chegou porque o dinheiro acabou, porque o desespero não espera e porque existe uma irmã que depende dela. Aquele emprego não é oportunidade. É a última coisa entre ela e a queda.
O problema é que a queda tem nome.
Lookmhee Wangpongsathaporn.
Na região, ninguém ousa chamá-la assim. Para todos, ela é Onça. E basta um único encontro para entender. Lookmhee não fala alto. Ela decide. As frases são curtas, o olhar é firme, a postura é de quem nasceu acostumada a ser obedecida. Quando pisa no chão, parece que o chão concorda.
Filha da família conhecida como os reis da vaquejada, dos leilões e dos grandes rodeios, Lookmhee cresceu entre contratos milionários e poeira vermelha. O sobrenome dela sustenta impérios. E expectativas.
Lookmhee observa Sonya como quem avalia resistência. Mãos delicadas demais. Pele limpa demais. Orgulho demais para alguém que claramente não pertence àquele cenário. Frágil para o campo, ela conclui.
Sonya acha Lookmhee insuportável. Convencida. Mandona. Superestimada demais para ter aquele nível de arrogância.
O que Sonya não esperava era que, no meio de uma bronca impecavelmente articulada, escapasse um sotaque arrastado, foi natural. Um "ocê num presta atenção, não?" dito com tanta seriedade que seria intimidador, se não fosse absurdamente charmoso.
Sonya morde o lado interno da bochecha para não rir.
Lookmhee percebe.
O olhar escurece.
"Tá achando graça, é?"
A pergunta sai firme, mas há algo ali que não combina com ameaça. Talvez seja o leve rubor nas maçãs do rosto. Talvez seja o fato de que, pela primeira vez, a Onça parece ligeiramente desconcertada.
Desde o primeiro dia, a guerra está declarada. Discussões por detalhes mínimos.
O problema é que nenhuma das duas recua.