JackTheRisonho
Depois de ser jogada de um barco de frutas no cais de Ithaca - sem destino, sem dinheiro, e com um corvo teimoso que insiste em deixar objetos brilhantes no seu caminho - Mercury tem exatamente o que sempre teve: uma bolsa surrada, bandagens nos olhos, e a determinação discreta de quem aprendeu que ocupar pouco espaço é a maneira mais segura de sobreviver.
Ela tem quatorze anos. Viaja sozinha. E tem um segredo que, toda vez que alguém descobre, termina da mesma maneira.
Quando o príncipe de Ithaca, Telemachus, a encontra no cais e oferece abrigo no palácio, Mercury aceita com mais condições do que qualquer pessoa na sua situação teria direito de impor - porque ela já lidou com reis e rainhas antes, e sabe exatamente o que acontece quando você confia sem garantias. O palácio é seguro, a família é gentil, e isso é precisamente o problema: quanto mais seguro parece, mais difícil fica saber quando fugir.
Mercury e o Príncipe de Ithaca é uma história sobre o espaço que existe entre chegar em algum lugar e realmente ficar - sobre uma garota que aprendeu a mapear saídas antes de aprender a pronunciar boas-vindas, e sobre o que acontece quando, pela primeira vez, as pessoas ao redor dela não fazem nada que justifique o plano de fuga.
E sobre um pai que jura, jura pela Estige, que não planejou nada disso.
(Apollo não acredita nele. Ninguém acredita nele.)