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Charles Leclerc sempre considerou a neutralidade uma das grandes vantagens de ser monegasco durante uma Copa do Mundo.
Sem uma seleção própria para defender, ele podia assistir aos jogos sem compromissos, escolher um lado por simpatia e desligar a televisão sem qualquer sofrimento caso tudo desse errado.
Na teoria, era bastante conveniente.
Na prática, Charles havia se casado com Carlos Sainz.
E, durante a final entre Espanha e Argentina, neutralidade significa vestir uma camisa personalizada com os dois sobrenomes, respeitar a posição supersticiosa de uma almofada vermelha, não elogiar Messi sob nenhuma circunstância e impedir que o próprio marido destrua a sala a cada chance desperdiçada.
Entre faltas não marcadas, um grupo de pilotos completamente descontrolado, ciúmes envolvendo Ferran Torres e cento e vinte minutos de sofrimento espanhol, Charles começa a perceber que talvez tenha escolhido um lado muito antes do apito inicial.
Não exatamente pela Espanha.
Mas pelo homem que acredita que casamento também inclui obrigações internacionais.