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Amélia Nadine Dutra tinha onze anos quando uma fonte decidiu atacá-la.
Ou, pelo menos, foi assim que ela contou.
Poucos meses depois, uma arara azul apareceu em sua janela trazendo uma carta para o Palácio Mondyk - uma escola escondida no coração da Amazônia, onde crianças aprendiam que o folclore brasileiro talvez tivesse muito mais verdade do que os livros deixavam escapar.
Amélia não sabia nada sobre magia. Não sabia tomar banho em rio, cozinhar uma poção ou conviver com animais que, segundo ela, tinham tamanhos completamente desnecessários.
Mas sabia fazer amigos.
Ou, pelo menos, eventualmente aprenderia.
Entre tantos estudantes, encontrou pessoas que talvez não devessem significar tanto quanto significaram. Ao lado delas, Amélia cresceu em Mondyk enquanto aprendia a existir entre dois mundos: o dos Vazios, onde nasceu, e o dos Luminares, onde descobriu que pertencia.
Até que, aos dezesseis anos, o mundo deixou de permitir que ela e seus amigos fossem apenas estudantes.
A política entre os Luminares se tornou instável. Antigas alianças começaram a ruir, novas ameaças surgiram e uma guerra, que durante muito tempo pareceu distante, passou a exigir jovens demais para ser ignorada.
Era o início da Era de Marã.
Como uma verdadeira filha d'água, Amélia foi treinada. Não pelas honras que futuramente poderiam vir, nem pelo orgulho, mas porque, em algum momento, sobreviver deixou de ser uma escolha individual.
Esta é a história de Amélia Nadine Dutra.
Ou, pelo menos, a história que consegui reunir.
Porque existem registros. Existem diários. Existem testemunhas.
No fim, talvez Amélia Nadine Dutra tenha sido apenas uma garota que recebeu uma carta estranha aos onze anos e acabou envolvida em uma guerra.
Ou talvez tenha se tornado algo maior, ao lado dos amigos aos quais permaneceu leal.
E eu suponho que essa seja justamente a pior parte de contar uma história sobre alguém que não conheci:
você nunca sabe em que momento