Camisxgrace
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A fome queimava em seu estĂŽmago, enquanto seus pĂ©s descalços vagavam pela terra Ășmida. O frio cortava sua pele como lĂąminas invisĂveis, fazendo seu corpo tremer descontroladamente. Seus cabelos desgrenhados se agitavam ao vento, refletindo seu estado: uma alma Ă deriva, exausta e faminta. Abraçou-se numa tentativa vĂŁ de reter o pouco calor que ainda A restava.
EntĂŁo, passos.
O som ecoou pela floresta silenciosa, e antes que pudesse reagir, uma dor lancinante rasgou sua coxa esquerda. Um grito escapou de sua garganta ao ver a flecha fincada em sua carne, o sangue escorrendo quente contra o frio implacåvel. Com a força que ainda lhe sobrava, ela correu. Ramo após ramo arranhava sua pele, espinhos rasgavam sua carne, mas nada importava além de fugir.
O medo pulsava em suas veias, tĂŁo feroz quanto o frio que mordia seus ossos. Olhou para trĂĄs-sombras se moviam entre as ĂĄrvores. Estava cercada.
De repente, o chĂŁo cedeu.
Seu corpo despencou na armadilha, madeira afiada cravando-se em sua pele. O impacto roubou o ar de seus pulmĂ”es, e a dor a envolveu como um abraço cruel. O sangue quente escorria pelos espinhos, tingindo o solo sob si. Tentou respirar, mas o frio jĂĄ havia reclamado seu corpo. Seus lĂĄbios arroxeados entreabriram-se num Ășltimo suspiro... e entĂŁo, silĂȘncio.
Ela estava morta.
Acima dela, duas figuras a observavam em silĂȘncio. Seus olhos se encontraram brevemente, um deles claramente irritado enquanto puxava o cadĂĄver inerte da armadilha.
Isso nĂŁo era para ter acontecido assim.
A noite os envolvia, cĂșmplice do destino selado.