lumifiles
- Odsłon 273
- Głosy 42
- Części 4
Fiorella Lumière Bellacqua sempre soube capturar o que os outros não conseguiam ver.
Antes de entender o que era uma câmera, ela já pintava. Telas espalhadas pelo chão do quarto, tinta nos joelhos, dedos manchados de azul e rosa, transformando em cores o que as palavras ainda não sabia dizer. Depois veio o desenho, cadernos cheios de rostos, de paisagens, de mãos que se tocavam em gestos que ela não nomeava. E, finalmente, a fotografia, a Leica M6 que a sua nonna lhe deu aos doze, a Hasselblad que ganhou de aniversário, e a Fujifilm que recebeu em um natal quente no Brasil, ao lado de uma árvore de natal enorme, a obsessão pelo click que congelava o tempo e o fazia permanecer.
Todas as coisas que remetessem ao garoto que ela amava até demais, foram depositadas em uma caixinha de memórias, a mesma em que ela guardava todos aqueles "lixos", e que foi escondida no fundo do armário, atrás dos livros de Harry Potter que ela já não conseguia reler sem chorar. Não porque Kimi tivesse feito algo errado. Não porque tivesse havido uma briga, uma traição, um momento que destruíra tudo.
Porque Fiorella, aos quinze anos, sentiu algo que não soube nomear.
E o nome que não soube dar - aquele que a nonna Sofia talvez chamasse de amor , e que ela mesma chamava de medo - a fez desaparecer.
Sem explicação, sem despedida, sem o direito que ele tinha de, pelo menos, entender por que a garota que crescera com ele, que dividira seus segredos, que colocara a corrente em seu pescoço numa tarde ensolarada de piscina, simplesmente evaporara como se nunca tivesse existido, como se não fosse nada, quando eles eram tudo.
Agora Fiorella está nos bastidores da Fórmula 1, com uma câmera na mão e o mesmo perfume de lavanda que ele reconheceria em qualquer lugar. Kimi Antonelli está no cockpit de uma Mercedes, com dezoito anos e sendo o sucessor de Lewis Hamilton, tocando a corrente que nunca tirou quando ninguém está olhando.