EsterLuisa2
Em uma manhã aparentemente comum, toda a humanidade desaparece.
Não há corpos. Não há sinais de luta. Apenas um silêncio absoluto.
Depois de dias vagando por cidades desertas, Ryusei Shidou encontra a única outra pessoa viva: Sae Itoshi.
Os dois acreditam que logo encontrarão outros sobreviventes.
Dias viram semanas.
Semanas viram meses.
E ninguém aparece.
No começo, eles permanecem juntos apenas por necessidade. Shidou fala demais para preencher o silêncio; Sae responde com poucas palavras, mantendo distância. Ainda carregam a rivalidade de antes do fim do mundo.
Mas, sem plateias, sem treinadores e sem partidas, as máscaras começam a cair.
Shidou descobre que Sae dorme mal desde o desaparecimento da humanidade, embora finja estar sempre no controle.
Sae percebe que o jeito barulhento de Shidou esconde um medo enorme de ficar completamente sozinho.
A rotina muda aos poucos. Eles cozinham juntos usando o que encontram nos mercados abandonados. Dormem na mesma casa porque o silêncio de duas casas vazias é pior. Dirigem sem destino por rodovias desertas, entram em estádios onde o eco das arquibancadas substitui a torcida e passam noites observando um céu finalmente livre da poluição.
Com o tempo, deixam de procurar apenas sobreviventes. Começam a procurar motivos para continuar vivendo.
O sentimento entre eles cresce de forma quase imperceptível: um cobertor deixado sobre os ombros de quem adormeceu no sofá, uma mão segurando a outra durante uma tempestade, um abraço que dura alguns segundos a mais do que deveria.
Então surge a dúvida que nenhum dos dois quer responder:
Se o mundo voltar ao normal... eles ainda escolheriam ficar juntos?