angeelfw
- Reads 1,352
- Votes 291
- Parts 7
NĂŁo era segredo para nenhum lorde, dama ou mesmo para o prĂłprio prĂncipe Maekar que a princesa Saera nunca lhe faltaram pretendentes. Vulgar e irresistivelmente bela, ela mantinha homens a seu dispor sempre que lhe apetecia - e Saera nĂŁo conhecia a arte de negar um desejo. Se queria, tomava. E o reino inteiro sussurrava sobre seus feitos, alguns com admiração, outros com escĂąndalo, mas todos com a certeza de que a princesa prateada era indomĂĄvel.
Numa de suas aventuras noturnas, porĂ©m, o destino quis que seu irmĂŁo mais velho, Daeron, a flagrasse num ato obsceno dentro de um bordel da capital. Ele a viu montada sobre um cavaleiro da Guarda Real, os corpos se movendo num ritmo que nĂŁo deixava dĂșvidas sobre o que acontecia. Sem hesitar, Daeron levou a notĂcia ao pai, esperando ver Saera finalmente castigada como merecia.
Mas a fĂșria de Maekar nĂŁo caiu somente sobre ela.
- Nenhum prĂncipe ou princesa deve frequentar bordĂ©is - argumentou o prĂncipe, e seu castigo foi implacĂĄvel: o cavaleiro foi executado, e ambos os filhos foram punidos. Saera pela desonra, Daeron por ter estado no mesmo recinto. E, como se a humilhação nĂŁo bastasse, Maekar os uniu num noivado forçado - uma sentença disfarçada de bĂȘnção.
O problema era que Saera e Daeron se odiavam desde crianças. Ela o provocava com sua vulgaridade e sua liberdade; ele a desprezava com sua bebedeira e seu amargor. Cada palavra era uma faca, cada olhar uma guerra. E agora, forçados a conviverem como noivos, teriam que aprender a viver em harmonia - ou destruir um ao outro no processo.
A corte observava, os boatos corriam, e o casamento se aproximava como uma tempestade. Mas ninguém, nem mesmo eles, poderia prever que, no calor do ódio, algo mais perigoso começaria a nascer.